domingo, 5 de dezembro de 2010
♪ Fagner - Canteiros ♫ (com legenda)
Canteiros
Composição: Fagner / sobre poema de Cecília Meireles
Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade
Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento
Pode ser até manhã
Sendo claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria
Sendo claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria
(Refrão 2X)
Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza ...
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Senão chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida
Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza ...
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Senão chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração.
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração.
Canteiros
Composição: Fagner / sobre poema de Cecília Meireles
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento
Na segunda estrofe também há a presença da elipse. É possível perceber a associação por repetição dos pronomes me.
Pode ser até manhã
Sendo claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria
Sendo claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria
Na terceira estrofe também há associação por repetição do pronome me. Ocorre a coesão pela relação de conexão da palavra mas.
(Refrão 2X)
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza...
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Senão chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida
Nesses versos é possível perceber a hiperonímia que estabelece um nome mais específico framboesa e outro mais geral ou superordenado mato. Também ocorre a relação de associação por repetição das palavras e, tristeza, vida e coisa. Ainda ocorre a relação de antonímia entre as palavras morte e vida.
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração.
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração.
Este último verso faz intertextualidade implícita com a música Águas de março de Tom Jobim.
Na música ocorre a coesão pela relação de associação entra as palavras:
· Felicidade, contentamento, alegria;
· Saudade, tristeza;
· Fechar, esconder, sem ter visto;
· Pensar, inventar;
· Tenho, meu;
· Mato, canteiros;
Há uma intertextualidade explícita presente na música feita com o poema A Marcha de Cecília Meireles podendo ser percebido na quinta estrofe:
A Marcha
As ordens da madrugada
romperam por sobre os montes:
nosso caminho se alarga
sem campos verdes nem fontes.
Apenas o sol redondo
e alguma esmola de vento
quebram as formas do sono
com a idéia do movimento.
Vamos a passo e de longe;
entre nós dois anda o mundo,
com alguns mortos pelo fundo.
As aves trazem mentiras
de países sem sofrimento.
Por mais que alargue as pupilas,
mais minha dúvida aumento.
Também não pretendo nada
senão ir andando à toa,
como um número que se arma
e em seguida se esboroa,
- e cair no mesmo poço
de inércia e de esquecimento,
onde o fim do tempo soma
pedras, águas, pensamento.
Gosto da minha palavra
pelo sabor que lhe deste:
mesmo quando é linda, amarga
como qualquer fruto agreste.
Mesmo assim amarga, é tudo
que tenho, entre o sol e o vento:
meu vestido, minha música,
meu sonho e meu alimento.
Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos ristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentameno.
Como tudo sempre acaba,
oxalá seja bem cedo!
A esperança que falava
tem lábios brancos de medo.
O horizonte corta a vida
isento de tudo, isento...
Não há lágrima nem grito:
apenas consentimento.
As ordens da madrugada
romperam por sobre os montes:
nosso caminho se alarga
sem campos verdes nem fontes.
Apenas o sol redondo
e alguma esmola de vento
quebram as formas do sono
com a idéia do movimento.
Vamos a passo e de longe;
entre nós dois anda o mundo,
com alguns mortos pelo fundo.
As aves trazem mentiras
de países sem sofrimento.
Por mais que alargue as pupilas,
mais minha dúvida aumento.
Também não pretendo nada
senão ir andando à toa,
como um número que se arma
e em seguida se esboroa,
- e cair no mesmo poço
de inércia e de esquecimento,
onde o fim do tempo soma
pedras, águas, pensamento.
Gosto da minha palavra
pelo sabor que lhe deste:
mesmo quando é linda, amarga
como qualquer fruto agreste.
Mesmo assim amarga, é tudo
que tenho, entre o sol e o vento:
meu vestido, minha música,
meu sonho e meu alimento.
Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos ristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentameno.
Como tudo sempre acaba,
oxalá seja bem cedo!
A esperança que falava
tem lábios brancos de medo.
O horizonte corta a vida
isento de tudo, isento...
Não há lágrima nem grito:
apenas consentimento.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Fichamento de resumo
Repensando a textualidade
Maria das Graças Costa Val (FALE/UFMG).
O conceito de textualidade é construído a partir de um conjunto de características que fazem do texto um todo coeso, e não apenas um amontoado de palavras e frases.
O desenvolvimento da linguística textual (LT) começou na Europa e se ocupa em estudar os fatores e princípios constituintes para a produção e recepção de um texto. Os estudos voltados para os fenômenos que ultrapassam os limites da frese (texto e discurso) tem se fortalecido e se ampliado no campo da linguística, desde o final da década de 1960 até os dias atuais.
Para retomar o conceito de textualidade é necessário se fazer um rápido panorama das tendências mais marcantes no interior da própria LT. Entre eles podemos citas três momentos tipológicos apontados por Maria Elisabeth Conte, a saber: a análise transfrastica, que surge a partir da constatação de que há fenômenos sintáticos que não podem ser suficientemente entendidos quando se tomarmos a frase como unidade máxima de análise; A segunda vertente passa a ver o texto, fundamentalmente, como uma unidade lógico-semântica. Ganha importância, então, a compreensão de que um texto é mais do que uma sequência de enunciados conectados, e que sua significação é um todo; No terceiro momento, a tendência dominante é construir teorias de texto em que os aspectos pragmáticos assumem status privilegiado.
Conte (1977) não chega a analisar e situar nesse quadro obras contemporâneas ou posteriores à publicação de seu trabalho e que se tornaram clássicas no campo da linguística textual então, Costa Val faz um rápido exercício de interpretação dessas obras.
Para Costa Val, poderíamos entender o trabalho de Halliday & Hasan (1976) como buscando a integração entre as dimensões sintática e semântica do texto.
O texto para Halliday & Hasan (1976) “ é uma unidade de língua em uso” (P.1). A textura, conceito equivalente ao de textualidade, é definida como propriedade que “deriva do fato que o texto funciona como uma unidade em relação a seu contexto” (P.2).
Essa posição, entretanto, nunca foi unânime no campo da LT. Autores como Harwerg (1968), situados por Conte (1977) no primeiro momento da LT, definiram o texto como “cadeia pronominal interrupta”, no segundo momento fortaleceu-se a posição contrária de que “a coesão não é necessária nem suficiente” e que a coerência é o fator decisivo da textualidade.
No Brasil, a autora cita Marcuschi (1983:28) que afirmava que embora a coesão seja um principio constitutivo do texto, ele não é nem suficiente nem necessária para a textualidade, aspecto no qual ele discorda de Halliday & Hasan. Kock & Travaglia também assumem a mesma posição de Marcuschi.
A autora afirma que a crescente compreensão dos aspectos cognitivos, pragmáticos e discursivos do texto leva hoje a superação dessa própria discussão e apresenta Baugrande & Dressler (1981) que postulam sete princípios de textualidade – coesão, coerência, intencionalidade, aceitabilidade, informatividade, situacionalidade e intertextualidade – e três princípios reguladores, que controlam a comunicação textual – eficiência, eficácia e adequação.
Costa Val aponta ainda um terceiro texto como importante para a LT que foi o artigo de Charolles (1978), introduction aux problèmes de La cohrence des textes, e diz que a importância desse artigo está na tentativa do autor de explicitar o sistema implícito de regras de coerência com o qual operamos na produção, interpretação e avaliação de textos. As regras ou “meta-regras” não são pensadas como tendo caráter normativos. Charolles postula quatro meta-regras de coerência, a saber: a primeira é a meta -regra de repetição; a segunda diz respeito à progressão; a terceira se refere a não-contradição e a ultima é chamada de relação. Para Costa Val, as meta-regras se mostram úteis em sala de aula porque “destrinçam” de que se constitui a coerência, possibilitando ao professor orientações e avaliações mais objetivas, menos dependentes de gosto ou crença pessoal, no trabalho com textos.
A autora conclui seu texto afirmando que “quando se pensa o texto não como um produto em si, mas como resultado de uma atividade linguístico-cognitiva socialmente situada, o ensino da escrita começa por explicar aos alunos a necessidade de pautar o trabalho de redação por perguntas voltadas para a dimensão internacional. (...) a autora acredita que um trabalho de ensino orientado pelos princípios expostos pode contribuir com o sucesso para a formação de escritores e leitores bem preparados para a convivência social.
domingo, 14 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
Sonho
"Sonhe com o que você quiser. Vá para onde você queira ir.
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida
e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades
para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E
esperança suficiente para fazê-la feliz."
Clarice Lispector
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida
e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades
para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E
esperança suficiente para fazê-la feliz."
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
síntese
A coesão como propriedade textual: bases para o ensino do texto
(Irandé Antunes, Calidoscópio 62-71, jan/abr 2009)
Com um estudo abrangente da linguística é possível uma maior interação com o texto e sua devida construção para que atenda as suas características (modo de “repasse” da informação, interpretação, contextualidade, intertextualidade etc.) as mesma se dão a partir de um desse estudo e a pratica de suas teorias durante a construção.
“meta-regra de repetição”: na qual, em parte, foge das regularidades da coesão (linearidade das ideias), contudo muitas vezes o mesmo se faz necessário para que se evite distúrbios na compreensão do texto pois a linearidade necessita de certos limites para que o foco de “repasse da informação” não se altere e acabe ocasionando assim perca do sentido. Na verdade a chamada repetição das ideias nada mais é do que a simples retomada do sentido como recurso coesivo.
“meta-regra de progressão”: normalmente segue logo após a primeira regra. Progresso de informatividade. Algo relativamente novo, com alguma relação com o item que obteve retomada anteriormente, recurso que mantém a linearidade fazendo com que o texto retomasse seu progresso.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
LINGUISTICA TEXTUAL
A lingüística textual trata-se mais do estudo do texto em si, ou seja, na sua essência como forma te interação, deixando em segundo plano os morfológicos.
Para a lingüística textual texto é:
“qualquer forma de interação com intuito de passar algo objetivo e sintático, seja ela, passada de forma verbal ou não verbal”
Essa é uma pequena definição de texto segundo a lingüística textual e, também uma das mais aceitas ate hoje.
Estudo deu se por volta da década de 60 (sessenta), constituído de três fases com desenvolvimento inconstante em diversos aspectos que variavam de acordo com o local onde se deram.
1ª fase: tranfrástrica; o estudo das orações particulares ao texto foi superado, dando espaço ao estudo das orações integradas ao texto, necessitava de um conhecimento essencial para preencher espaços deixados por questões de ordem não lingüística, um conhecimento alem dos que eram fornecidos nas bases de estudo da lingüística estrutural.
2ª fase: gramáticas textuais; uma visão de texto tornou-se mais abrangente, ela evoluiu. O estudo do texto fragmentado foi deixado para trás, dando lugar ao estudo do texto como “um todo” em seu sentido completo. Com isso foi proporcionado melhores estudos do texto.
Nessa fase reconhecimento do objeto “texto” já era possível e, portanto, sua análise também. Capacidades foram adquiridas:
*Formativa: concluir se um texto é de boa ou má qualidade.
*Transformativa: alterar, elaborar ou criar uma base textual solida.
*Qualificar: classificar e diferenciar os tipos existentes de texto.
Foi notável o desenvolvimento dessa fase, seus frutos foram bastante consideráveis, contudo, essas gramáticas se fizeram carentes de modificações, pois seu estudo tornou-se homogêneo, ou seja, padronizado quanto à criação de regras para um assunto tão amplo. Esse foi o limite da segunda fase.
3º fase: teoria do texto; o estudo da linguagem do texto em funcionamento pratico (pragmática). Nas fases anteriores o a informação transmitida, ou seja, o conteúdo transmitido se limitava ao próprio texto, contudo nessa fase o trabalho não se esgotaria na produção do texto. Esse seria apenas o começo do trabalho, pois a partir desse momento também foi levada em consideração a INTERTEXTUALIDADE, onde o texto se desenvolveria e continuaria em constante evolução, pois o contexto teria bastante influencia no sentido abrangendo cada vez mais os estudos.
Outra variação foi a influencia do leitor quanto ao processo de criação do texto. Com isso os diversos aspectos que dão sentido ao texto são melhor selecionados para que assim tenham maior influência e atenção durante o estudo. Para isso foram necessários “confrontos” entre intencionalidade x aceitabilidade
Vejamos a seguir:
· A escolha de um nível mediano de informação. Isso para que a informação não seja tamanha a ponto de não haver interpretação por parte do leitor ou mesmo obvia de mais a ponto do desinteresse por parte do receptor.
· Adequar à linguagem e o assunto a massa: como anteriormente dito, se faz necessário a adequação ao publico.
· Escolha da informação: Algo relativamente “interessante”. Fator chave que Influencia totalmente na aceitabilidade.
COESÃO: definição lógica; semântica, trata se da união de itens lexicais auxiliados pela fonética para que assim forme uma palavra.
COERÊNCIA: definição lógica; não há! Explicação: somente o leitor é capaz de identificar a coerência. Simplificando: conhecimento que o leitor tem acerca do assunto abordado, ou seja, construção de um sentido de acordo com a intertextualidade.
INTERTEXTUALIDADE: definição mais aceitável; intersecção entre textos, ou seja, comunicação entre os mesmos. A possibilidade de entender um texto com base no seu conhecimento de algum outro texto.
TEXTO: definição mais aceitável na atualidade; unidades de sentidos vale salientar que por mais mínimas que sejam, contanto que se consiga extrair alguma informação da mesma.
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